Music and more than music
O punk representou, nas sociedades ocidentais, um marco de rutura e reposicionamento face à estrutura social existente acompanhado de uma banda sonora. Ora, é neste quadro que pretendemos abordar o punk português, considerando a sua importância numa sociedade envolvida em processos relativamente recentes de democratização e modernização. Assim, propomo-nos, neste artigo, olhar para o punk a partir do discurso que os seus protagonistas vão produzindo e do texto que assim se vai formando. Aqui, consideraremos as palavras ditas pelas bandas, por duas formas: quando se nomeiam a si próprias e nas letras das canções. Em todos os casos, lidaremos com questões de autorrepresentação, segundo a polaridade entre identidade e diferença: quem somos nós, como nos situamos, como nos distinguimos, que temos a dizer sobre nós próprios, o nosso tempo e o nosso mundo; quais são os nossos valores e o que temos a dizer sobre os valores sociais dominantes; que causas nos mobilizam, como queremos agir, como queremos que o mundo seja. Como é próprio de uma autorrepresentação discursiva, os conteúdos não são independentes das formas da expressão. E, por isso, as questões de identificação e interlocução (quem fala, para quem fala) e as questões de linguagem (como fala quem fala, com que códigos, em que registos) são também objeto de análise. A nossa análise sugere que o discurso do punk sobre a identidade tende a ser estruturado por três eixos principais: a) cosmopolitismo, b) o pressuposto radical de uma diferença irredutível sobre a ordem social, e c) uma atitude ambivalente relativamente à política e à ação política.
Paula Guerra GUERRA, Paula; SILVA, Augusto Santos (2014) – Music and more than music: The approach to difference and identity in the Portuguese punk. European Journal of Cultural Studies [em linha]. Vol. 18, n.º 2. Disponível em: http://ecs.sagepub.com/content/early/2014/12/23/1367549414563294.abstract. ISSN 1460-3551. |



















